2025-05-27 IDOPRESS
O ex-ministro José Dirceu — Foto: Cristiano Mariz
GERADO EM: 26/05/2025 - 21:49
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Aliado de Edinho Silva,que disputa a presidência do Partido dos Trabalhadores (PT),o ex-ministro José Dirceu divulgou nesta segunda-feira uma carta à militância petista. No documento,além de defender a candidatura do correligionário,ele destaca a necessidade de “reconstruir o PT”,unificar a esquerda e retomar o trabalho de formação de base do partido. O ex-ministro também amontoa críticas ao Congresso,à concentração de renda e ao bolsonarismo.
Com 16 páginas,o texto se debruça em dois temas. O primeiro é a defesa da candidatura de Edinho,que disputa a presidência do PT contra o deputado federal Rui Falcão,o secretário de Relações Internacionais do partido Romênio Pereira e o historiador Valter Pomar. A segunda metade do documento é uma reflexão sobre a atual situação do PT.
“Edinho conhece o mundo parlamentar e vem de uma vida de lutas”,defendeu Dirceu. “Creio que ele está à altura do desafio de presidir o PT nesse momento histórico e nessa conjuntura que enfrentamos”,afirmou.
Nas críticas ao parlamento,Dirceu acredita que os deputados têm avançado sobre os outros poderes após o desequilíbrio causado pelas emendas parlamentares,que deu à Câmara mais controle sobre o Orçamento e fez o Executivo perder uma importante moeda de troca.
“Trata-se de uma urgência,dada a degradação do parlamento via o desvirtuamento das emendas parlamentares e os desvios de recursos para fins eleitorais e mesmo enriquecimento ilícito,o avanço do parlamento sobre os poderes constitucionais do presidente”.
Ao mercado financeiro,que classifica como um cartel,as críticas ficam para o Banco Central e a Faria Lima,“que cada vez mais concentra renda,via os juros altos únicos no mundo”.
"É preciso uma verdadeira mudança na vergonhosa concentração de renda e no cartel bancário financeiro,na política de juros e nas metas da inflação,que exigem uma radical reforma tributária e financeira,capaz de pôr fim à apropriação e expropriação da renda nacional pelo capital financeiro e agrário,num circuito entre o Banco Central e a Faria Lima,que cada vez mais concentra renda,via os juros altos únicos no mundo”,escreveu.
O documento finaliza com Dirceu defendendo que resta ao PT e às esquerdas "a tarefa histórica de concluir a revolução social brasileira inacabada".
Para o ex-parlamentar — que pode tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados no ano que vem —,o novo comando da sigla terá o trabalho de “unificar toda a esquerda numa frente além do PV e do PCdoB” e aumentar a mobilização popular e sindical da legenda,“recriando nossas sedes,nos empoderando nas redes,expandindo a formação política”.
No documento,as bandeiras de Dirceu tratam ainda de antigas bandeiras do PT,como a reforma agrária e tributária progressiva,como pautas que ganharam apelo popular,como o fim da escala 6x1.